Está marcada para este Sábado a Manifestação da Geração à Rasca que tem como objectivo mostrar que a situação de uma certa geração está mal. Eu tenho uma informação, que decerto que é novidade para muitos: fazer parte da Geração Rasca é completamente opcional.
Eu tenho 22 anos e não faço parte dessa Geração. E não sou o único. Tal como todos os que forem pró-activos, empreendedores e inovadores. Não são tempos para empregos rotineiros, estáveis e seguros.
Porque é que a manifestação não vai dar em nada?
Em primeiro lugar porque o Governo não sabe o que fazer. E se o soubesse já tinha começado a fazer, porque o problema não é só dessa geração. Em segundo porque o Governo não pode dispensar dinheiro para agradar a essa pseudo-geração.
Mas a raíz da inutilidade da manifestação não é culpa do Governo. É de quem a organiza e nela participa. Esta manifestação é sinónimo de um ajuntamento de coitadinhos a quem a vida já não corre bem. Só se vão queixar, e isso não vai dar em nada.
Citando do manifesto o objectivo da manifestação:
Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.
Ora bem, os políticos estão à rasca, não sabem o que fazer e ainda têm o FMI atrás deles. Os empregadores estão à rasca, o estado sobe os impostos e o poder de consumo desce. E bem ou mal, ambos estão a tomar medidas para sobreviver a estes tempos (aumento os impostos, despedindo pessoas, etc…)
Quem não faz nenhum é esta geração rasca. Ser pró-activo não é sair à rua e chorar que são uns coitadinhos. Ser pró-activo é apresentar propostas de como resolver os problemas.
Como sair da Geração Rasca?
A palavra chave desta segunda parte é valor. Quem faz parte da geração rasca não o tem, e precisa de o ganhar. E isto pode ser feito de algumas formas que apresento, mas não se limitem a elas.
Apresentar Propostas – Estudem e investiguem o sistema actual. Onde está o estado a gastar dinheiro indevido? Como aumentar a empregabilidade? Como incentivar a abertura de novos postos de trabalhos? Como atrair investidores estrangeiros? Como reduzir o custo de vida? Que alterações legislativas poderiam ajudar a resolver os problemas actuais?
Se são assim tantas pessoas a queixarem-se do estado actual, juntem as diversas capacidades e apresentem propostas ao governo. Peçam apoio às diversas juventude partidárias (garanto que menos menos a JSD, a que pertenço, vos ouve). Nenhum partido vos ouve/apoia/representa? Criem um! Se têm tanta gente para ir passear num sábado a tarde em conjunto, não é difícil recolher assinaturas para formar um partido. Mas para concorrer às próximas legislativas não bastam assinaturas. É preciso também um plano de governação com propostas sólidas. Há muito trabalho a ser feito e muita gente disponível.
Arranjar Emprego – Mas as empresas não estão a contratar, pelo contrário estão a reduzir pessoal!! Garanto que nenhuma empresa vos vai recusar, desde que convençam que vão fazer ganhar à empresa mais do que ela gasta convosco. As empresas estão mal, precisam de responder a esta alteração no mercado, e caso tenham ou sejam a solução para revitalizar a empresa, ela terá todo o gosto em contratar-vos.
Mas isso não é fácil! Pois não. Têm de criar valor para vocês próprios. Se o vosso currículo se resume ao curso superior (eventuais pós-graduações e cursos de formação de formadores) provavelmente vai ser difícil. Uma coisa simples para melhorar o currículo é fazer voluntariado. Seja em solidariedade social, em universidades, ou até mesmo em empresas, podem ganhar valores que vos diferenciem dos outros tantos que vão às ruas queixar-se.
De facto eu também me queixo do salário mínimo. Se ele não existisse, vocês poderiam chegar a uma empresa e oferecerem-se temporariamente como voluntários a um preço muito mais baixo, com o objectivo de mostrar que fornecem mais valor que os outros. Se não o tiverem, não esperem grande coisa.
Criar Emprego – Vocês não têm direito nenhum de exigir emprego. “Não exijam dos outros, o não exigirem a vocês próprios”. Como tal olhem para a vossa área (e não só) e aproveitem a situação de crise, uma boa oportunidade em que as pessoas procuram alternativas mais baratas e desenvolvam uma ideia de negócio.
Eu nem sou muito a favor deste governo, mas admito que tenham facilitado as coisas neste aspecto. Até a barreira mental de abrir uma empresa desceram para uma hora e 1 euro. Claro que é preciso mais dinheiro para isso, até para investimento inicial. E olhem, até há quem vos queira dar dinheiro, mas aparentemente ninguém concorre. Preferem ir aos sábados chorar para a rua.
Inovar – Façam o que quiserem, aumentem o vosso valor para os outros, mostrem que não são como qualquer um, e que conseguem melhorar a qualidade de vida dos outros, o que aumenta a vossa também. Podem fazer de diferentes maneiras, desde juntarem várias pessoas da vossa geração e viver em comunidade, onde baixam o custo de vida em compras em massa, ou apostar no interior do país, onde existe bastante procura de emprego e necessidade de novas alternativas.
Não podem é esperar que a receita que funcionou aos vossos pais funcione convosco. No próximo Sábado, em vez de irem pseudo-manifestar-se, aumentem o vosso valor. Pensem em forma de resolverem o vosso problema e dos outros. Juntem-se a empregadores e académicos, e encontrem novas oportunidades. Não se limitem a queixarem-se, proponham soluções.